segunda-feira, 8 de julho de 2013

Síndrome de Peter Pan

Quero ser criança
Ter de novo a esperança
Poder de novo acreditar
Na verdade de um olhar
No perfume de uma flor
Na pureza do amor
 
Ser criança, todo dia
Ter por perto a alegria
Não pensar na dor futura
Não viver na luz escura
Que vivo agora, sozinho
Por ter deixado no caminho
A inocência que um dia tive

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Passageiro da Agonia

Há quem leve a vida
Como em um trem a embarcar
Sem saber qual o destino
Se chegar, alegria

Se não chegar, paciência
A paisagem não importa
Vai e volta, vai e volta
Sempre ao mesmo lugar

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Felizes os ruminantes

Felizes as vacas e bois
Que encaram as cercas serenas
Sem saber o que vem depois

Os homens sabem a verdade
Não fazem nada apenas
Por pura comodidade

No pasto, felizes a viver
Sem saber do abate vindouro
Sem ninguém a dizer o que fazer

Livres eles pensam ser
Cheio de angustias loucas
Os homens, escravos do ter

Cercados na hipocrisia
Do sonho pequeno burguês
Mascando a velha apatia


Engolem a sobra ou o que dão
Perdem-se na pequenez
De uma vasta imensidão


Em uma dolorosa dança
Enchendo-se daquele vazio
Querendo o que não se alcança

E segue alegre o boi
Não sendo mais nem menos
Sendo o que sempre foi

Sem consciência de sua grandeza
Não são escravos por desejo, pois.
Felizes as vacas e bois

sábado, 13 de abril de 2013

Um sonho de bebê


Sonhei com nuvens de algodão
A noite, onde estarão?
Com  mãozinhas a agarrar
Sonhei que já sabia andar

Sonhei com o colo da mamãe
Sonhei que voava com o papai
Com água, que linda do céu cai
Com o sol, que no céu vem e vai

Em uma gota eu estava
Com meu cachorro a nadar
O rabo do gato eu puxava
Depois de atrás dele engatinhar

Sonhei que o mar era meu amigo
Na praia, a rir não sei do que
Que a vida nasceu e cresceu comigo
Sonhei um sonho de bebê

terça-feira, 2 de abril de 2013

A vida sob o mar


Ao chegar à praia, poderia ver a areia, as pessoas, os apartamentos chiques, o céu, o sol, as pequenas e velhas casas, as ruas movimentadas, os quiosques, o mar. Mas tudo isso fica em segundo plano quando o mar me presenteia com o horizonte.
O único lugar onde sinto que o horizonte está completo é junto ao mar. Nessa exuberante união, os prédios e as pessoas não são obstáculos, mas se colocam como expectadores e não interrompem sua infinitude, não há luzes ofuscando a sua imensidão, não há barulhos, se ignorarmos o vento, cortando o seu silêncio. Junto ao mar, o horizonte existe plenamente, assim como tentamos fazer durante nossas vidas.
E o mar é como a vida: está lá para todos. Está lá para aqueles que o contemplam com alegria por finalmente terem conseguido tirar merecidas férias e, pés na areia, momentaneamente esquecidos dos problemas de suas vidas cotidianas, aguardam o momento de jogar-se em suas águas. Está lá para as pequeninas crianças, que pela primeira, vez tentam decifrá-lo, não entendendo muito bem porque as águas se erguem até formarem ondas e,de repente, arrebentam com um barulho agradável e assustador.
O mar se abre para aqueles dispostos a navegá-lo: os tripulantes dos navios comerciais que chegam lentamente aos portos, trazendo mercadorias, contrabando e toda a série de pessoas, produtos e luxos para os homens preencherem seus vazios.  Abre-se para o garoto que nasceu em sua frente, cresceu aprendendo admirá-lo e conhecê-lo, e a certa altura de sua vida, dominou o medo, pegou uma prancha e, de repente, domou o mar, preenchendo o seu vazio com a selvageria de suas águas revoltas, conseguindo extrair uma emoção que apenas os que, como ele, podem deslizar em uma onda, conseguem sentir.  O mar só se abre completamente àquelas belas gaivotas, que o contemplam de cima, voando em uma linha reta, para depois formarem um triângulo e finalmente se separarem e desaparecerem da vista. Elas conseguem superar todos os limites impostos pelas águas revoltas, pelas ondas, pelo vento, pelas pedras e pela linha do horizonte, onde desaparecem.
Mar e horizonte são a mesma coisa para aquele senhor que o admira, da sacada do seu apartamento, com um copo de wiskey, na mão, pensando em como a espuma, assim como seus sonhos, parecem tão sólidas ao se formarem no topo das ondas, mas se desfazem no seu quebrar e desaparecem sem deixar vestígios, como se nunca estivessem estado lá.
O mar é imprevisível. Pode ser apenas uma confusão de águas, ocasionalmente levar para a profundeza gelada aquele empresário que visita o Rio de Janeiro e, na pausa entre uma reunião e outra, consegue um tempo para passear na orla, olha para suas águas sem saber o que fazer, tentando esquecer que dentro de alguns minutos, terá que decidir entre um acordo que pode salvar sua empresa da falência e ao mesmo tempo representar uma série de mudanças imprevisíveis. O mar não existe para aquele jovem que nunca o viu, vivendo no interior do país, naquela favela pobre e esquecida. Que, antes de aceitar o convite de um brother para participar de um assalto, vê no céu um reflexo invertido do oceano, as nuvens como ondas a avançarem com o vento, aguardando para serem domadas.  E a depender de qual caminho escolher para domar as ondas ou as nuvens, esse jovem nunca será presenteado com o horizonte e nunca nadará nas águas de um mar de verdade.
O mar, como a vida, é importante para mim neste momento. Pode não ser amanhã. Pode não ser para você. 

terça-feira, 26 de março de 2013

A morada do sol ameaça a liberdade de expressão


Ocorreu em nossa querida Araraquara, que como todo o Brasil, vive tensões políticas e sociais cada vez mais fortes, um episódio absurdo de afronta aos direitos individuais e, principalmente, à liberdade de impressa. Tal fato foi divulgado através de imagens gravadas e disponibilizadas nas redes sociais, que não deixam dúvida dos fatos.  Não podemos nos calar, pois as autoridades e políticos envolvidos agiram com parcialidade, truculência, autoritarismo e abusaram do poder que nós os investimos e que devem exercer para garantir os nossos direitos, e não para violá-los.
No dia 25/03/2013, foi realizada uma coletiva de imprensa com o Prefeito Marcelo Barbieri sobre a questão da saúde. O  Jornalista Raphael Pena, assessor de imprensa do Sismar e que participa de duas publicações chamadas a Batalha e Araraquara Livre,  aguardava o início da coletiva com os demais repórteres e foi chamado para uma reunião a portas fechadas com o secretário de governo Antônio Martins. As imagens mostram o secretário dizendo que não ia permitir a participação do jornalista na coletiva, pois os veículos que ele representava eram “vinculados ao sindicato” e tinham um posicionamento “muito crítico e colocava na mídia inverdades”.  Raphael Pena tentou argumentar com o secretário, que se mostrou irredutível, então ele se retirou para se dirigir à coletiva, sendo impedido pelo coordenador de segurança pública Rudi Bauer Zytkuewiszr e guardas municipais, que agiram com força como pode ser visto nas imagens.
Quero deixar claro que quem vos fala não tem interesse em defender nenhuma das partes. Não sou jornalista, não sou funcionário público, não tenho ligação com os grupos nem com as pessoas envolvidas. Sou apenas uma pessoa que assistiu imagens e viu algo que não se pode aceitar em uma sociedade dita democrática. Os fatos precisam ser apurados com exatidão, as partes precisam ser ouvidas. Mas contra fatos não há argumentos e as gravações deixaram claras que houve excesso por parte dos responsáveis pela segurança dentro da prefeitura e também por parte do secretário de governo Antônio Martins. Ele proibiu, baseado nas suas convicções pessoais, o jornalista Raphael Pena de exercer sua profissão e, o que é mais grave, o seu direito de cidadão.
 Uma democracia não se resume a escolher nossos representes: os que nos representam precisam agir de acordo com as leis, que em teoria representam a vontade geral dos cidadãos e garantem os direitos destes.  Um direito básico e constitucionalmente garantido é o direito a informação, a liberdade de expressão e imprensa. Uma pessoa sozinha não pode decidir se um veículo de imprensa diz inverdades e é tendencioso, existem leis para garantir também o direito de que os órgãos de imprensa não prejudiquem os cidadãos. Antonio Martins foi claro nos seus motivos:  o jornalista não participaria da reunião porque ele acreditava que os veículos que ele representava eram muito críticos e publicavam inverdades, mas não cabia a ele decidir, ele não tem esse direito.  Se ele ou a prefeitura se sentissem prejudicados, a mesma lei que garante a presença dos jornalistas, a liberdade de expressão e imprensa, garante as pessoas citadas em reportagens o direito de questionar o que é dito.
O caso é mais grave do que parece. A democracia é uma instituição frágil e que deve ser vigiada constantemente. Nas ultimas semanas parece que tivemos um aumento de episódios que atentam contra ela: pudemos ver imagens de excessos e erros das autoridades no rio de janeiro e em belo horizonte, por exemplo, que resultaram em mortes mal explicadas.  As filmagens do ocorrido em Araraquara mostram os mesmos problemas: uso excessivo de força, abuso de pode, censura, arbitrariedade; características de governos ditatoriais, com o agravante de ocorrer dentro de um prédio público e envolver políticos e, explicitamente, uma questão ideológica, de divergência de opinião. O que garante o funcionamento de uma sociedade democrática é justamente o respeito à diversidade, a multiplicidade de opiniões, posturas e tendências políticas. E isso só pode ser construído com a multiplicidade de informações e posicionamentos. Construímos nossas opiniões a partir de diferentes visões e enfoques sobre os fatos. Foi justamente essa multiplicidade de posicionamento que foi violada.
Não podemos deixar que esses episódios tornem-se corriqueiros pois isso coloca em xeque toda uma história de conquista de direitos. Devemos buscar punir os envolvidos e, principalmente, saber se o ocorrido foi devido a uma postura individual daqueles que lá estavam ou representa a postura do nosso Governo Municipal. Estavam o secretário e o coordenador de segurança agindo por impulso ou cumprindo ordens? A resposta para essa pergunta pode ser preocupante.