quarta-feira, 19 de junho de 2013

Felizes os ruminantes

Felizes as vacas e bois
Que encaram as cercas serenas
Sem saber o que vem depois

Os homens sabem a verdade
Não fazem nada apenas
Por pura comodidade

No pasto, felizes a viver
Sem saber do abate vindouro
Sem ninguém a dizer o que fazer

Livres eles pensam ser
Cheio de angustias loucas
Os homens, escravos do ter

Cercados na hipocrisia
Do sonho pequeno burguês
Mascando a velha apatia


Engolem a sobra ou o que dão
Perdem-se na pequenez
De uma vasta imensidão


Em uma dolorosa dança
Enchendo-se daquele vazio
Querendo o que não se alcança

E segue alegre o boi
Não sendo mais nem menos
Sendo o que sempre foi

Sem consciência de sua grandeza
Não são escravos por desejo, pois.
Felizes as vacas e bois

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